Na mágica realidade do instante,
as fronteiras se dissolvem
e o infinito me alcança, suave e leve.
Pelos meus dedos escoam as ilusões.
Não há urgência, não há atraso.
Já não me apresso, já não espero.
Debruçado na janela outonal da minha vida,
Vejo os anos, quais mestres silenciosos,
Que me ensinam o que os dias, apressados, desconhecem.
O tempo, com suas mãos invisíveis e pacientes,
inscreveu em mim suas memórias,
bordando, com delicadeza, meu rosto e minh’alma.
Aprendi a contemplar os milagres
sorrateiramente escondidos nos recônditos do cotidiano:
Uma réstia de luz no entardecer,
folhas caídas que o vento não levou,
um riso despretensioso e franco,
as melodias que habitam o silêncio.
Os anos me trazem a certeza
de que o agora me basta,
e que a eternidade, afinal,
é me entregar à beleza do instante.

