Espaço autoral de Fernando de Sá Leitão, onde versos e fotografias se encontram para revelar a poesia do cotidiano, os traços da natureza e aquilo que permanece de cada instante.

  • O instante

    Na mágica realidade do instante,
    as fronteiras se dissolvem
    e o infinito me alcança, suave e leve.

    Pelos meus dedos escoam as ilusões.
    Não há urgência, não há atraso.
    Já não me apresso, já não espero.

    Debruçado na janela outonal da minha vida,
    Vejo os anos, quais mestres silenciosos,
    Que me ensinam o que os dias, apressados, desconhecem.

    O tempo, com suas mãos invisíveis e pacientes,
    inscreveu em mim suas memórias,
    bordando, com delicadeza, meu rosto e minh’alma.

    Aprendi a contemplar os milagres
    sorrateiramente escondidos nos recônditos do cotidiano:
    Uma réstia de luz no entardecer,
    folhas caídas que o vento não levou,
    um riso despretensioso e franco,
    as melodias que habitam o silêncio.

    Os anos me trazem a certeza
    de que o agora me basta,
    e que a eternidade, afinal,
    é me entregar à beleza do instante.

  • Alumeiros, de lume, de alumiar. Chamo assim quem chega e empresta sua luz ao que encontra por aqui. O que vejo e escrevo registra o que vi; o que vocês veem já é outra descoberta.

    Aprendi a guardar memórias em versos. Outras, em fotografias. Algumas só reconheço quando volto a olhar: um chão que pisei, a luz difusa numa parede, uma sombra que vai na frente, mesmo quando não tenho pressa.

    Reúno aqui esses encontros. Às vezes, uma linha acompanha a imagem. Outras vezes, fico mais um pouco.

    Cheguem mais junto!