Espaço autoral de Fernando de Sá Leitão, onde versos e fotografias se encontram para revelar a poesia do cotidiano, os traços da natureza e aquilo que permanece de cada instante.

(in)finitudes

Há uma mistérica beleza na finitude…
nos derradeiros raios de sol de dezembro,
que se vão tranquilos sobre o horizonte.

Há beleza na finitude…
na furtiva lágrima do adeus,
que ousa brilhar
antes de se perder no rosto.
No último gole da xícara de café,
morno, já sem pressa.

As folhas que ainda não caíram, cairão.
É da natureza das coisas:
soltar-se dos ramos,
retornar ao chão,
virar adubo de outros invernos.

A névoa se desfaz no alvorecer;
os galos anunciam o dia;
tudo é partida e chegada,
a roda é viva, não para.

Éter, etéreo, eternidade…
mistérica beleza da infinitude,
presente em todo instante.
Ah, o instante,
esse breve eterno dos meus versos.

Entre a última estrela
e o sol que desponta,
resta a certeza
que há beleza na (in)finitude
daquilo que em mim
teimou em permanecer.

Comentários

Deixe um comentário

Descubra mais sobre A caligrafia das coisas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo